• Rachel Fernandes

5 regras de ouro para escrever personagens inesquecíveis



Eu garanto que você já passou por isso: uma ideia incrível vem à sua mente. É uma história repleta de reviravoltas, ação, aventura e romance.


Mas as personagens ainda não são claras para você. Elas não tem um motivo para existirem ou mesmo conduzirem essa história.


Ou pior: elas são personagens sem potencial, esquecíveis e fracas.


Nesse artigo vou ensinar a você as 5 regras de ouro para criar personagens que ficam na mente do leitor mesmo depois de sua história terminar.



REGRA Nº #1 - Use a realidade a seu favor


"Isso é a vida real?"


Personagens boas são aquelas que se parecem pessoas.


O erro mais comum é se apoiar em arquétipos. O mundo é diverso demais para nos prendermos a eles. Quer um exemplo prático? Pense numa pessoa.


Pense em alguém que você conheça e goste (ou não) e se pergunte:


  • O que essa pessoa é?

  • O que ela faz?

  • Do que ela gosta?


O mundo real é repleto de pessoas interessantes. Use isso como material para criar suas personagens.


Agora você vai me dizer: "Mas eu escrevo fantasia! Não posso usar a realidade!"


E eu vou responder: "É claro que pode!"


Use a realidade como inspiração para criar suas personagens, mesmo que você esteja em mundos de fantasia.


Quer ver?


Pense numa jovem feiticeira. Ela tem uma personalidade curiosa e gosta de ajudar os outros. Além disso, é uma leitora voraz e otimista da cabeça aos pés.


Você consegue ter uma ideia clara dessa personagem. Minha referência para criá-la? Bill Gates, multimilionário dono da Microsoft, leitor inveterado e um cara que parece ser bem otimista e boa praça.


Pequenos traços fazem a diferença na criação de personagens. É o que faz eles brilharem na página.


Mas tenha cuidado: não force a barra. A realidade da sua história, seja ela qual for, deve ser soberana.


Uma executiva que tem o trabalho como prioridade jamais se apaixonaria à primeira vista pelo seu mocinho, por mais querido que ele seja. A não ser que ela tome por engano a poção de uma feiticeira alegre e curiosa que foi inspirada no Bill Gates.


REGRA Nº #2 - Adicione camadas



Já dizia Shrek:


"Ogros são como cebolas: cheios de camadas."

É isso que vai fazer sua personagem ser irresistível: camadas, camadas e mais camadas.


Nenhuma pessoa é uma coisa só. Por que suas personagens deveriam ser?


O melhor exemplo disso é você. Aposto que você gosta de algo esquisito, que para as outras pessoas não combina muito com a sua personalidade.


Mas o fato chocante é o seguinte: esse traço esquisito é o que faz a sua personalidade ser o que é. Na verdade, é só uma parte do que cria o seu jeitinho especial.


Seres humanos têm muitos interesses que, muitas vezes, não fazem sentido.


E suas personagens também.


O melhor jeito de conquistar o leitor é surpreendê-lo. Pense em opostos que são reais — lembre-se da regra nº 2! — e divirta-se.


Aliás, não precisa ser nada muito elaborado. Quer ver?


  • Um cientista maluco cujo passatempo é criar pássaros;

  • Uma adolescente gótica apaixonada por ballet clássico;

  • Uma astro do rock que coleciona selos;

  • Uma boxeadora que adora jogar xadrez.


Camadas, camadas e mais camadas.


Seguir o conselho do Shrek vai fazer suas personagens saltarem da página.


REGRA Nº #3 - Use o princípio de Ação x Resposta



A vida é um amontoado de ações que demandam respostas. Pense na sua vida, em como você reage às coisas.


O que você faz se o seu ônibus atrasa?


  • Você dá um chute na parada e resmunga até o próximo ônibus passar?

  • Você nem se estressa, afinal já é comum?

  • Você manda o sistema de transporte público longe e pede um Uber?


Nos tornamos a soma das nossas reações. Todos os dias, coisas acontecem e nós reagimos a elas. Por que com suas personagens deveria ser diferente?


Uma personagem com perfil analítico pensa mais antes de responder a uma ação. Talvez ela prefira usar mais a razão do que a emoção. Estudar as possibilidades antes de dar uma resposta final.


Outra personagem talvez prefira responder usando só as emoções, sem analisar nada. Se o sentimento diz, ela faz e pronto. Essa é a resposta para ela.


Qual é o certo? Os dois. Ou nenhum. Na ficção, o certo é o que for melhor para sua história.


Pense na sua personagem principal e imagine como ela reagiria a essas situações:

  • Descobrir uma traição;

  • Sofrer um assalto;

  • Enguiçar o carro no meio da estrada;

  • Mentir para o melhor amigo;


Assim como as pessoas, cada personagem vai reagir de uma maneira diferente.


Usar o princípio de ação x resposta vai facilitar sua vida e deixar suas personagens mais ricas.


REGRA Nº 4 - Quebre padrões


"Eu gosto de quebrar as regras. Sou uma rebelde."


Todo leitor adora contrastes.


Um dos clichês românticos mais famosos se baseia naquele velho conceito de que opostos se atraem.


As personagens se conhecem, percebem que são diferentes e não se dão bem num primeiro momento, mas acabam se apaixonando.


Por que isso faz tanto sucesso? Porque o leitor gosta de contrastes.


Reverta a lógica e, em vez de trabalhar com o par, trabalhe os contrastes numa pessoa só.


Vamos considerar os exemplos:


  • Um executivo arrogante durante a semana faz trabalho voluntário num hospital infantil aos finais de semana;

  • A capitã do time de futebol da escola adora dar aulas de maquiagem na internet;

  • Uma bruxa que morre de medo de usar magia;


Seres humanos não fazem sentido. Desista de colocar suas personagens numa caixinha onde todas as ações devem seguir um padrão.


O executivo arrogante pode ser péssimo com a equipe de trabalho, mas se derreter com crianças. A capitã do time de futebol pode adorar maquiagem. A bruxa pode morrer de medo de usar magia.


Dê ao seu leitor o presente do inesperado. Deixe que eles desvendem as personagens aos poucos, como um mapa antigo.


A perfeição mora nos detalhes.


REGRA Nº 5 - Diga-me como falas...



As personagens também são reveladas nos diálogos. Aquilo que falamos é reflexo direto de quem somos.


  • Uma personagem tímida é mais propensa a gaguejar. Ou falar baixo para não chamar atenção. Num grupo, pode ser interrompida com frequência.

  • Outra personagem, mais extrovertida, talvez seja o oposto. Num grupo, ela é quem interrompe. Quem fala para ser ouvida (e quem repete o que ia dizer caso seja interrompida).


Mostre as diferenças nas falas das suas personagens para construir ainda mais as personalidades delas. Considere gostos pessoais, trabalho e até mesmo o histórico familiar.


Uma personagem treinada a vida inteira para ser princesa não vai falar como uma personagem que foi criada num vilarejo pobre para exercer a função de ferreira.


Lembre-se: realidades diferentes = palavras diferentes.


Enquanto nossa princesa poderia usar palavras mais rebuscadas, nossa ferreira não. Até poderia, mas isso estaria de acordo com a realidade da sua história?


Cada palavra da sua personagem é importante para fazer o leitor se identificar com ela.



Recapitulando, essas são as 5 regras de ouro para criar personagens inesquecíveis:


  1. Obedecer à realidade da sua história;

  2. Adicionar camadas às personagens;

  3. Lembrar que personagens diferentes reagem de maneiras diferentes;

  4. Quebrar padrões;

  5. Usar o diálogo para revelar mais sua personagem.


E como não pode faltar, o quote inspirador do dia:


"Fique bêbado de escrita para que a realidade não destrua você."
— Ray Bradbury —

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© 2020 por Rachel Fernandes.